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Parques tecnológicos tendem a evoluir para Áreas de Inovação

Parques tecnológicos tendem a evoluir para Áreas de Inovação

A constante aceleração do desenvolvimento global cria inúmeras possibilidades de interação empresarial, social e interpessoal. Na avaliação do diretor geral da Associação Internacional de Parques Tecnológicos e Áreas de Inovação (Iasp), Luis Sanz, o segmento global de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) passa por um momento de rever os conceitos dos parques tecnológicos.

Embora a definição atual continue tendo aplicabilidade, Sanz destacou a cerca de 100 gestores de parques tecnológicos e incubadoras de empresas, nesta segunda-feira (19), que “é preciso tomar nota” das mudanças em andamento. “Estamos assistindo o nascimento das Áreas de Inovação que, embora tenham pontos em comum com parques tecnológicos, obedecem a algo que já está muito claro na economia do conhecimento. O principal ativo que as empresas têm já não são as matérias primas e equipamentos, são o talento, o conhecimento e o cérebro das pessoas que trabalham nelas”, explica Sanz.

Trata-se dos trabalhadores do conhecimento, jovens com qualificação acadêmica e tecnológica e domínio de outros idiomas, além da língua materna. O diferencial deles é que cada um tem consciência do quanto vale e que as empresas dependem do seu conhecimento para continuar competitiva.

Segundo Luis Sanz, que participa da 25ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação, que acontece em Cuiabá (MT) até sexta-feira (23), a maioria dos parques tecnológicos do mundo, em alguma medida, irão aproximar-se mais do conceito de Áreas de Inovação. “Os trabalhadores do conhecimento não esperam mais as empresas se instalarem em uma cidade A ou B para decidirem onde vão viver. O processo já é o contrário. São as empresas que têm que ir onde está a maior concentração desses profissionais”, avalia.

Outros fatores que aos poucos implicam na necessidade de aperfeiçoar o entendimento sobre parques tecnológicos são as limitações geográficas, como muros e longas distâncias, e determinação de conceitos científicos a serem apoiados. As Áreas de Inovação tendem a dialogar com diversos atores, universidades, institutos de pesquisa e empresas dos mais variados segmentos e, claro, com os trabalhadores do conhecimento. “Esse novo conceito de espaço é de uma área híbrida, onde se vive, estuda, trabalha e educa uma família com acesso a cultura. Isso faz com que as pessoas não precisem ir a outros lugares para ver cada uma dessas coisas”, aponta Luis Sanz.

De acordo com o diretor geral da Iasp, existem entre 100 e 150 Áreas de Inovação em todo mundo. Ele crê que a migração para este modelo não seja imprescindível, mas aponta que é uma oportunidade para os parques tecnológicos consolidados e em fase de planejamento.

No último levantamento sobre os parques tecnológicos, realizado em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Universidade de Brasília (UnB), foram identificadas 94 iniciativas de parques no Brasil, sendo 29,8% em operação, 29,8 em implantação e 40,4 em projeto.

Dificuldade

Com uma nova realidade se aproximando dos parques tecnológicos, um entrave para a aplicação das Áreas de inovação, na avaliação de Sanz, seja as legislações urbanas. “Algumas cidades que possam se interessar em ampliar esse espaço podem enfrentar problemas para moldar as normas urbanísticas, que muitas vezes são extremamente rígidas. Caso contrário, o desenvolvimento dessas áreas pode tornar-se uma corrida de obstáculos.

O papel das cidades

Foi observado também pela Associação Internacional de Parques Tecnológicos e Áreas de Inovação, que as políticas públicas também influenciaram na criação das Áreas de Inovação. “As cidades cada vez mais querem deixar de ser espaços passivos. Elas querem ser ativas e proativas, contribuindo com o fomento e a liderança de processos que produzem e geram inovação para atrair empresas inovadoras”, diz Luis Sans. “Para triunfar na capacidade de atrair empresas, é preciso que haja espaços atrativos não somente para empresas, mas também para esse tipo de trabalho.”

Ele citou como exemplo de política de atração de negócios o Porto Digital, em Recife (PE), que revitalizou o patrimônio arquitetônico do Bairro do Recife. No local estão instaladas cerca de 250 empresas dos eixos de software e serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Economia Criativa.

“Há exemplos também de Áreas de Inovação com espaços culturais, residências, espaços de esporte e atividades para as crianças”, explica o diretor geral da Iasp. “Enfim, eles querem se abrir para conectar-se mais com a sociedade. Nessas Áreas de Inovação podem haver, por exemplo, lojas de roupas lado a lado com empresas tecnológicas.”

Fonte: Felipe Linhares, da Agência Gestão CT&I

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